Brasileiro conta como foi realizar o trekking ao Campo Base do Everest

O Monte Everest é a maior montanha da Terra. Situado a 8.848 metros acima do nível do mar, o Qomolanga, que em tibetano quer dizer mãe do mundo, é o pico dos Himalaias, cadeia de montanhas divida entre cinco países: Butão, Índia, Nepal, China e Paquistão. Muitas pessoas costumam chamar esta área de “o teto do mundo”. Você já imaginou chegar até lá?

Estar no topo da maior montanha do planeta é o sonho de muitos aventureiros e até mesmo de pessoas mais comuns dos quatro cantos do mundo.

 

Acampamento Base do Everest
O pico mais alto do mundo

 

Escalar o topo do Everest pode levar cerca de semanas. Para chegar lá é necessário fazer paradas em alguns trechos ao longo do percurso para que seja possível se acostumar com a altitude. Para realizar a subida é preciso se preparar em um acampamento base, um tipo de “quartel general” para escalar o Everest que fica próximo ao inicio da subida da montanha.

Existem duas opções de acampamentos base para escalar o Everest: o Acampamento Base Sul do Everest (5364 m de altitude), onde os aventureiros sobrem através da Crista ou Aresta Sudeste (lado nepalês). E o outro acampamento fica no lado do Tibete, a 5150 m de altitude.

Certamente esta não é uma aventura que você decide realizar da noite para o dia. É necessário um preparo tanto físico quanto financeiro para chegar até lá. Mas isso não significa que esta seja uma missão impossível! Neste post você vai conferir a história de viagem do aventureiro Rodrigo Noll, que realizou o trekking ao Acampamento Base Sul do Everest, a 5364m.

 

Como tudo começou

Rodrigo sempre se interessou por desafios extremos, e foi em uma de suas muitas aventuras, uma viagem ao Peru para realizar o trekking de Salkantay, que ele e seu amigo parceiro de viagens, Leandro Freitas, decidiram que o próximo desafio da dupla seria o trekking ao Acampamento Base do Everest.

 

Rodrigo em Salkantay Trek, Peru

 

Leia: Como planejar uma viagem internacional com os amigos

 

A preparação para realizar a viagem começou um ano antes dela acontecer. A partir deste momento, ambos começaram a colher informações a respeito: orçamento, roteiro, quem fornecia este tipo de viagem e tudo que seria necessário para executar a subida entre equipamentos e preparo físico.

Eles optaram por realizar a viagem por meio de uma agência que oferecia pacote turístico para o destino. Rodrigo acredita que a decisão de viajar com os serviços e orientações da agência foi fundamental para que o planejamento e execução da viagem ocorresse bem. Para ele, esta é uma viagem muito cara e arriscada de fazer sem alguém especializado.

É necessário estar preparado financeiramente para realizar uma viagem como essa. É importante destacar as despesas de voo internacional, roteiro terrestre que antecedem e sucedem a caminhada e ao longo do percurso. Além dos equipamentos necessários para realizar a subida. Normalmente a empresa que contratada para guiar os viajantes até o acampamento base indicará o que é necessário em termos de roupas e equipamentos.

Apesar de ser preciso realizar alguns investimentos, felizmente existem inúmeras formas de que facilitam esse preparo.

 

 

Roteiro

Para Rodrigo, ter planejado a viagem com um cronograma com folga foi fundamental, pois deu a oportunidade de conhecerem outros lugares e poder viver cada um sem pressa.

Aprimeira parada foi em Dubai, onde puderam descansar por alguns dias até pegarem o voo para Kathmandu.

“Passamos três dias em Kathmandu e pudemos nos deparar com um choque de realidade. É uma cidade muito pobre e suja, mas assim como todo o sul do Nepal é influenciada fortemente pela Índia, ou seja, é muito rica em cultura movida pelo Hinduísmo.”

 

A chegada em Kathmandu no Nepal

 

 

 

Além de visitas a templos sagrados, eles aproveitaram os dias na cidade para realizar os ajustes finais para o grande desafio. De lá partiram para Lukla, cidade no nordeste do Nepal.

 

Para chegar ao base camp, você precisa ir para Kathmandu, que é  capital nepalesa, lá você pega um voo para o Lukla Airport . É um dos voos mais perigosos do mundo!

Rodrigo Noll

 

Localizado a 2700 metros do nível do mar, a pista do Aeroporto de Lukla tem 527 metros de comprimento, 20 metros de largura, inclinação de 11 graus e está entre uma enorme montanha que se eleva a 900 metros em uma de suas cabeceiras. Muitas vezes, o aeroporto fecha pelo mau tempo e a aterrissagem fica próximo a montanhas. Então, a adrenalina é garantida do inicio ao fim da viagem.

Após concluírem o voo com sucesso, ao chegarem em Lukla eles começaram a jornada para o Acampamento Base do Everest.

 

A jornada

“Logo que chegamos em Lukla encontramos o Babu, nosso guia e o carregador, um jovem nepalês de 21 anos. As expedições disponibilizam carregadores pessoais que levam parte de seus equipamentos de caminhada, como mudas de roupa e outros itens que só serão usados nos lodges ou pequenas pousadas ao longo do caminho”.

 

Os carregadores realizam o trajeto com quilos em suas costas

 

A caminhada começou a partir do aeroporto. A rotina deles se baseava em acordas às 05hs e começar a caminhas às 06hs. Caminhavam entre seis a oito horas por dia até chegarem ao próximo vilarejo em que precisariam se hospedar para comer e dormir.

“Tivemos durante 13 dias em torno de dez horas livres por dia. Nesse tempo eu puder ler dois livros, aprender algumas palavras em nepalês, meditar, planejar o dia seguinte e quando o tempo deixava aproveitávamos para caminhar um pouco mais”.

 

O percurso cercado por natureza

 

Ao longo das caminhadas diárias e durante o período nos vilarejos, Rodrigo conta que eles passavam muito tempo em silêncio. Ás vezes por estarem ofegantes por causa do percusso ou pelo tempo de espera para voltar a caminha.

 

Aprendi que se a gente tivesse mais momentos silenciosos como esses em nossa rotina, as coisas poderiam ser mais fáceis, tomaríamos melhores decisões com mais autoconhecimento e controle.

 

Ao longo de toda viagem eles puderam apreciar paisagens, que segundo Rodrigo não tem comparação com nada que ele já tenha visto na vida.

 

Os himalaias são únicos. São 360 graus de montanha de neve. Você encontra um povo tranquilo, amigo e receptivo. Além de ser um lugar com baixo indicie de violência.

 

Rodrigo finalizando a desafiadora ponte

 

Acampamento Base Everest

Após oito dias de caminhada e esforço físico extremo que incluem muito frio, poucas horas de sono, dor de cabeça por causa do ar rarefeito, eles chegaram ao Acampamento Base do Everest!

 

Acampamento Base do Everest
A chegada no Acampamento Base do Everest

 

Estes campos são acampamentos rudimentares que são usados por alpinistas durante suas tentativas de escalar a montanha mais alto do mundo. “Nos deparamos com um conjunto de barracas instaladas em cima do gelo, é fora do comum! É como se fosse uma vila em um ambiente inóspito, com muito vento e frio. O tráfego de helicópteros de resgate era intenso”, explica Rodrigo.

 

Um dos maiores desafios da minha vida. Mas, o objetivo estava claro e nada nos parou!”

 

O frio intenso foi a maior dificuldade

 

Eles passaram 3 horas no Acampamento Base do Everest, onde puderam conhecer pessoas de vários lugares do mundo. “Era possível notar como as pessoas eram parceiras e gentis umas com as outras. Um sentimento de todos juntos no mesmo barco”.

Lá eles puderam visitar a sede da expedição brasileira que se preparava para subir o Everest, onde conheceram o alpinista brasileiro Henrique Franke, que dias depois conseguiu alcançar o cume da montanha.

 

O dia mais difícil

No nono dia de viagem, eles acordaram pela madrugada e após uma hora e meia conseguiram subir até o cume do Kala Pattar  a 5545 m para presenciar o nascer do sol atrás do Everest. Muitos trekkers na região do Monte Everest tentam escalar o Kala Patthar, uma vez que fornece o ponto mais acessível para ver o Monte Everest, pois devido à estrutura do Everest, o pico não pode ser visto a partir do Campo Base do Everest. A visualização do Everest, Lhotse , e Nuptse são espetaculares a partir de qualquer ponto do Kala Patthar.

 

O nascer do sol atrás do Everest

 

“Caminhamos de madrugada no dia mais frio de todos. Com toda certeza foi o dia de mais dificuldade física, pois senti muita náusea e a altitude e frio eram maior, coisas incontroláveis! Mas exatamente por isso foi o dia de maior superação”.

 

Lição de vida

Quando questionado se em algum outro momento se desafiaria a subir o cume da montanha, Rodrigo responde: “Já decidi que sim e já decidi que não (risos). Subir o Everest precisa ser um projeto de vida, não é um hobby. E no momento eu tenho outros projetos de vida. Hoje eu não iria, pelo investimento, alto risco e tempo de preparação que exige. Mas eu posso mudar de ideia a qualquer momento.”

 

Acampamento Base do Everest
Rodrigo representando o Brasil no Acampamento Base do Everest

 

Um dos maiores desafios para o trekking ao Acampamento Base do Everest é o processo de adaptação à altitude. “Quando fomos ao Peru passamos muito frio, isso me ajudou a prever como meu corpo reagiria no Nepal. Nós estávamos bem fisicamente pois nos preparamos para isso. Eu aumentei a intensidade no crossfit, subia os 11 andares de escada dos meu prédio todos os dias e emagreci para realizar a subida com o corpo mais leve”.

Ele conta que ao longo da trilha avistou várias pessoas de idades avançadas e até um homem sem uma perna, de muletas. “Se você se preparar, é uma trilha acessível”.

Sobre as lições que essa experiência trouxeram para sua vida, Rodrigo aponta várias, mas a mais marcante para ele foi o choque de realidade.

 

O que eu mais queria era poder chegar em casa e ir ao banheiro descalço. Uma coisa tão simples, mas que tem o seu valor. Lá é tudo muito precário, sujo e é difícil de se adaptar.

 

“Também aprendi que não precisamos de muito para viver. Levei roupas que não precisaria ter levado, é bem possível sobreviver com menos do que você acha que precisa. O povo de lá é feliz como muito pouco”.

 

Próximo desafio

Após essa incrível experiência de vida, a dupla de aventureiros já indica o próximo desafio: Subir o Kilimanjaro, no norte da Tanzânia, junto à fronteira com o Quénia. É o ponto mais alto da África, com uma altura de 5895m no Pico Uhuru.  Pensamos “E agora? O que tem de difícil pra fazer de aventura? Vamos!” A ideia é fazer trabalho voluntário e subir a montanha em uma mesma viagem.

 

Monte Kilimanjaro

 

Em um mundo de lugares incríveis como o planeta Terra, seria um desperdício se não víssemos tanta beleza com nossos próprios olhos, não é mesmo? Viajar faz bem e todo brasileiro merece viajar!

 

 

 

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